Análise por Ultrassom na Manutenção Preditiva: Como Funciona, Ferramentas e Resultados na Prática

Ultrasound Analysis Global Illustration

Durante décadas, técnicos aplicavam água com sabão nas linhas de ar comprimido e aguardavam o surgimento de bolhas para identificar um vazamento. Hoje, um detector de ultrassom localiza o vazamento em segundos: sem bolhas, sem tempo de parada e sem dúvidas.

Isso ilustra a evolução das antigas soluções improvisadas para práticas avançadas de manutenção, destacando a importância da Manutenção Preditiva (PdM), que vai muito além da manutenção baseada em intervalos de tempo. Ela utiliza avaliações precisas para detectar problemas nos equipamentos antes que evoluam para falhas críticas.

A Análise por Ultrassom nas soluções de Manutenção Preditiva é uma poderosa técnica de Monitoramento de Condição utilizada para detectar falhas ocultas por meio da análise de emissões sonoras de alta frequência. Como um elemento essencial dos serviços de Manutenção Preditiva, ela permite identificar problemas muito antes que ocorram falhas nos equipamentos, reduzindo paradas não planejadas e os custos associados. Ao fornecer dados acústicos em tempo real, a Análise por Ultrassom complementa outras tecnologias preditivas e adiciona uma camada extra de confiabilidade ao processo de tomada de decisão da equipe de manutenção.

Este artigo é um guia completo sobre a Análise por Ultrassom, explicando como essa técnica funciona, quais ferramentas utiliza e como ela se integra a um software de Manutenção Preditiva. Além disso, apresenta os principais tipos de anomalias que podem ser detectadas, os equipamentos mais monitorados e as vantagens e limitações dessa tecnologia. O artigo também destaca exemplos reais e os benefícios práticos da aplicação dessa poderosa técnica em diferentes setores industriais.

O que é a Análise por Ultrassom?

A Análise por Ultrassom é uma poderosa técnica não invasiva de Monitoramento de Condição que mede e analisa emissões sonoras de alta frequência, normalmente entre 20 kHz e 100 kHz, tanto propagadas pelo ar quanto pela estrutura, geradas por equipamentos mecânicos, sistemas de fluidos e equipamentos elétricos durante sua operação.

Esse método é amplamente utilizado na Manutenção Preditiva. Seu papel é detectar anomalias acústicas de alta frequência muito antes que evoluam para falhas, complementando as outras cinco técnicas de Monitoramento de Condição: Análise de Vibração, Termografia Infravermelha, Análise de Óleo, Amplificação de Movimento e Análise de Circuitos de Motores.

Todo equipamento em operação produz um certo nível de ruído ultrassônico de fundo. No entanto, falhas como vazamentos de ar comprimido, atrito em rolamentos, falhas em purgadores de vapor ou descargas elétricas geram padrões característicos de sons de alta frequência, como chiados, estalos ou pulsos, que se destacam da assinatura acústica normal do equipamento.

Na Manutenção Preditiva, os técnicos realizam inspeções por ultrassom utilizando um detector ultrassônico portátil, um microfone direcional ou um transdutor instalado permanentemente para localizar problemas muito antes que eles provoquem perdas de energia, danos aos componentes ou paradas não planejadas.

A photo of a technician doing an ultrasound monitoring

O que a análise por ultrassom busca detectar?

A análise por ultrassom detecta uma ampla variedade de anomalias ultrassônicas que comprometem a confiabilidade dos equipamentos e o desempenho operacional. Esses sinais representam sintomas iniciais de possíveis falhas, permitindo intervenções mais rápidas e uma manutenção mais eficiente. Seu principal benefício está na detecção precoce de falhas por meio de assinaturas ultrassônicas anormais em formas de onda acústicas ou em gravações sonoras em tempo real, antes que os problemas evoluam para falhas críticas ou paradas não planejadas.

Cada modo de falha gera um padrão ultrassônico distinto, frequentemente identificado por picos de amplitude, mudanças de tonalidade ou pulsos rítmicos no sinal acústico. Essas ondas acústicas atuam como indicadores precoces de problemas subjacentes, permitindo o diagnóstico de falhas e o acompanhamento de sua evolução ao longo do tempo.

Por trás de cada sinal ultrassônico existe um fenômeno físico: o fluxo turbulento em linhas de ar comprimido produz ruído de banda larga, o atrito entre componentes móveis aumenta as amplitudes em altas frequências, a cavitação ou os impactos geram pulsos intensos, e as descargas elétricas parciais emitem estalos ou zumbidos característicos.

A análise por ultrassom utiliza instrumentos ultrassônicos de alta sensibilidade para captar emissões sonoras de alta frequência. Quando aplicada por meio de inspeções ultrassônicas, ela funciona como uma primeira linha de defesa, identificando pontos onde uma energia acústica anormal indica uma possível falha, frequentemente em um estágio mais precoce do que mudanças detectáveis por vibração, temperatura ou pressão.

Especificamente, a análise por ultrassom pode detectar:

  • Vazamentos de ar e gases: sons contínuos de alta frequência, semelhantes a assobios ou silvos, normalmente detectados em conexões, acoplamentos, válvulas, juntas de tubulações ou ao longo de uma tubulação.
  • Desgaste de rolamentos e problemas de lubrificação: cliques rítmicos, estalos ou aumento dos níveis de dB, indicando desgaste inicial por pitting, contato metal com metal, lubrificação insuficiente ou aplicação incorreta de graxa.
  • Falhas em válvulas e purgadores de vapor: padrões ultrassônicos irregulares ou sem ciclagem que revelam obstruções, vazamentos ou componentes travados.
  • Descargas elétricas: emissões intermitentes ou contínuas de alta frequência, como efeito corona (leve chiado), descargas por rastreamento ou arco elétrico (estalos intensos).
  • Impactos mecânicos: rajadas ultrassônicas de banda larga ou pulsadas causadas por choques entre dentes de engrenagens, cavitação em bombas ou trincas em desenvolvimento, frequentemente identificadas como picos ou rajadas irregulares.

Quais equipamentos são normalmente monitorados com análise por ultrassom?

Na prática, a análise por ultrassom é aplicada a uma ampla variedade de equipamentos mecânicos, sistemas de fluidos e equipamentos elétricos em ambientes industriais e de infraestrutura. Sua eficácia é particularmente evidente no monitoramento de equipamentos em que as emissões sonoras de alta frequência representam um indicador confiável da condição operacional.

Mesmo pequenas variações nas assinaturas acústicas podem revelar sinais iniciais de degradação, permitindo que as equipes de manutenção intervenham antes que a condição, o desempenho, a segurança ou a eficiência do equipamento sejam comprometidos.

Os equipamentos normalmente monitorados com análise por ultrassom incluem:

  • Purgadores de vapor (mecânicos, termodinâmicos e termostáticos)
  • Bombas (centrífugas e de deslocamento positivo)
  • Rolamentos e caixas de engrenagens
  • Linhas de ar comprimido e gases (tubulações, acoplamentos e conexões rápidas)
  • Painéis elétricos de manobra e quadros elétricos
  • Transformadores e isoladores de alta tensão

Como funciona a análise por ultrassom?

A análise por ultrassom segue um processo sistemático composto pelas cinco etapas detalhadas a seguir:

  1. Implantação por meio de detectores portáteis ou sensores ultrassônicos instalados permanentemente.
  2. Coleta de dados das emissões acústicas de alta frequência (20 kHz a 100 kHz) provenientes de componentes como rolamentos, válvulas, purgadores de vapor ou pontos de vazamento.
  3. Transformação dos dados por meio de heterodinagem, detecção de envelope e análise espectral.
  4. Comparação com a linha de base das medições em relação a assinaturas ultrassônicas de referência, obtidas em condições normais de operação e sob as mesmas condições de carga e ambiente.
  5. Mapeamento das assinaturas de falha por meio da correlação entre padrões acústicos e uma biblioteca de modos de falha conhecidos.

Etapa 1: Modos de implantação

A análise por ultrassom pode ser implementada em dois modos: modo portátil e modo com sensores fixos, dependendo da criticidade do equipamento, da acessibilidade e da frequência de monitoramento necessária.

  • Modo portátil: Nesse modo, os técnicos utilizam um detector ultrassônico portátil equipado com sondas intercambiáveis (para medições aéreas ou por contato). Esse método é amplamente utilizado em inspeções de rotina de rolamentos, válvulas, vedações, purgadores de vapor e componentes elétricos. A inspeção portátil é ideal para detectar falhas localizadas, como vazamentos de ar, arco elétrico ou desgaste causado por atrito, oferecendo à equipe de manutenção maior flexibilidade quando o monitoramento contínuo não está disponível. Durante a inspeção, os técnicos podem ouvir os sinais em tempo real por meio de fones de ouvido e registrar medições pontuais para análise de tendências ou diagnósticos, permitindo uma detecção acústica precisa e detalhada.
  • Modo com sensores fixos: Nesse modo, transdutores ultrassônicos são instalados permanentemente em equipamentos críticos para fornecer monitoramento contínuo. Essa abordagem é normalmente aplicada a equipamentos essenciais para o processo, como linhas pressurizadas e purgadores de vapor em sistemas críticos, ou a equipamentos de difícil acesso para inspeções manuais, como rolamentos localizados em áreas remotas ou enclausuradas. Esses sensores ultrassônicos IoT transmitem os dados diretamente para uma plataforma de manutenção preditiva ou por meio de um sistema intermediário de monitoramento da condição. Em ambos os casos, a detecção automática de picos em decibéis ou de anomalias acústicas pode acionar alertas, reduzindo o trabalho manual normalmente exigido dos inspetores e permitindo intervenções precoces quando são identificados desvios em relação às assinaturas ultrassônicas de referência. Ao reduzir a necessidade de inspeções manuais, o modo com sensores fixos possibilita alertas antecipados sempre que as assinaturas ultrassônicas se desviam da linha de base, garantindo intervenções no momento certo e maior confiabilidade.

Etapa 2: Coleta de dados

A análise por ultrassom capta ondas sonoras de alta frequência (normalmente na faixa de 20 kHz a 100 kHz), acima do limite de audição humana. Por exemplo, os detectores ultrassônicos da SDT são normalmente configurados para 38,7 kHz, frequência que corresponde ao ponto de maior sensibilidade do sensor para suas sondas padrão.

Os dados são coletados por meio de sensores ultrassônicos, que podem incluir tanto sondas de contato para sinais transmitidos pela estrutura quanto sensores aéreos para a detecção de vazamentos e falhas elétricas. As sondas de contato são posicionadas sobre a carcaça do rolamento, o corpo da válvula, a carcaça do purgador de vapor ou outras superfícies acessíveis para detectar atrito interno, turbulência ou eventos de impacto. Já os sensores aéreos, incluindo microfones direcionais ou refletores parabólicos, são posicionados à distância para captar emissões ultrassônicas provenientes de vazamentos em sistemas pressurizados ou de falhas elétricas.

As medições, ou leituras acústicas, são normalmente realizadas com o equipamento em operação, sem necessidade de parada, permitindo que os inspetores coletem dados em condições reais de funcionamento. Os instrumentos, sejam detectores portáteis ou sensores ultrassônicos fixos, medem e registram cada sinal ultrassônico, incluindo sua amplitude (geralmente expressa em dB ou dBµV, dependendo do equipamento) e características qualitativas do som, como intensidade, tonalidade e repetibilidade. Essa combinação de dados quantitativos e qualitativos garante que até mesmo anomalias sutis possam ser identificadas precocemente, permitindo que a equipe tome decisões com base em informações preditivas antes que ocorram falhas funcionais.

Etapa 3: Transformação dos dados

Os sinais ultrassônicos brutos são, em geral, de frequência muito elevada e não podem ser interpretados diretamente pela audição humana nem por análise visual convencional. Para torná-los utilizáveis, aplica-se um processo chamado heterodinagem, que converte as frequências ultrassônicas para a faixa audível. Isso permite que os operadores ouçam o sinal em tempo real por meio de fones de ouvido ou alto-falantes, transformando sons que seriam imperceptíveis em sinais acústicos facilmente reconhecíveis.

Ao mesmo tempo, o instrumento ultrassônico registra características importantes, como o nível em decibéis, a forma de onda e as características sonoras distintivas do sinal. Técnicas avançadas de processamento de sinais, como detecção de envelope ou demodulação, também são aplicadas para extrair o envelope de amplitude do sinal, melhorando sua clareza quando o ruído se sobrepõe a assinaturas de falha de baixa intensidade. Esse processo é particularmente útil para destacar padrões repetitivos de impacto, por exemplo, em rolamentos nos quais defeitos geram pulsos rítmicos que, de outra forma, permaneceriam ocultos nos dados brutos.

As informações processadas são então apresentadas visualmente no domínio do tempo, na forma de formas de onda, espectros de frequência ou gráficos de tendência, dependendo dos recursos da ferramenta de monitoramento. Ao combinar a avaliação qualitativa, por meio da escuta do áudio obtido pela heterodinagem, com a análise quantitativa baseada em representações visuais dos dados, técnicos e engenheiros de manutenção preditiva conseguem identificar e classificar com precisão as assinaturas de falha muito antes que evoluam para falhas críticas.

Etapa 4: Comparação com a linha de base

Cada ponto de medição ultrassônica recebe um perfil de referência que representa o nível normal em decibéis e as características do sinal do equipamento em condições normais de operação. Essas linhas de base são normalmente estabelecidas durante o comissionamento ou em um período de operação comprovadamente estável e devem ser registradas sob as mesmas condições de carga, rotação (RPM) e ambiente para garantir a precisão.

Quando novas medições são realizadas, elas são comparadas com esse perfil de referência. A análise examina os valores atuais em dB, a repetibilidade da forma de onda e as mudanças características no som obtido por heterodinagem para identificar aumentos ou alterações anormais.

Os principais sinais de alerta incluem um aumento perceptível nos níveis de decibéis, o surgimento de novos padrões de impacto ou mudanças sutis na textura do som que indicam a deterioração progressiva do equipamento. Esses desvios são fortes indicadores de falhas em desenvolvimento, como degradação de rolamentos, falhas em purgadores de vapor ou vazamentos de ar, permitindo que os técnicos intervenham antes que o problema evolua para uma falha de alto custo.

Etapa 5: Mapeamento das assinaturas de falha

Depois que os dados ultrassônicos são coletados, transformados e comparados com os perfis de referência, os analistas interpretam padrões sonoros e características dos sinais com base em modos de falha conhecidos. Diferentes modos de falha geram assinaturas ultrassônicas distintas, que podem ser identificadas por meio de alterações na amplitude, no comportamento da forma de onda e na reprodução do som obtido por heterodinagem.

Na análise por ultrassom, as assinaturas de falha mais comuns incluem:

  • O sibilo contínuo de alta frequência geralmente está associado a vazamentos de ar comprimido, gases ou sistemas a vácuo.
  • O chiado ou zumbido elétrico intermitente ou contínuo está frequentemente associado à descarga corona, ao arco elétrico ou ao tracking em sistemas de alta tensão.
  • Pulsos rítmicos ou cliques periódicos são detectados em medições transmitidas pela estrutura e estão associados a defeitos mecânicos, como corrosão por fadiga em rolamentos (pitting), falha de lubrificação ou impactos entre dentes de engrenagens, geralmente surgindo nos estágios iniciais da degradação.
  • Rajadas bruscas ou picos transitórios irregulares estão associados a falhas em purgadores de vapor, cavitação ou vazamentos em válvulas.

Operadores treinados ou sistemas automatizados de diagnóstico comparam as ondas ultrassônicas e suas características, como amplitude, conteúdo de frequência e padrões de repetição, com bibliotecas de falhas conhecidas, adaptadas ao tipo de equipamento e ao contexto operacional, para identificar precocemente os primeiros sinais de uma possível falha. Esse processo estruturado de correlação, frequentemente apoiado pela reprodução do áudio e pela análise de gráficos de tendência, permite identificar com precisão a degradação relacionada a falhas e priorizar, no momento certo, as ações corretivas.

Heatmap showing an ultrasonic anomaly on an asset

Quais ferramentas são utilizadas na análise por ultrassom?

A análise por ultrassom baseia-se em duas categorias de ferramentas: o hardware, responsável por captar sinais ultrassônicos transmitidos pelo ar ou pela estrutura dos equipamentos industriais, e o software, que armazena, monitora tendências e interpreta esses sinais para apoiar a detecção de falhas e a tomada de decisões de manutenção.

Ferramentas de hardware

  • Detector ultrassônico portátil: Dispositivos portáteis utilizados durante inspeções realizadas em rotas de equipamentos mecânicos, sistemas de fluidos e instalações elétricas. Equipados com visor integrado, fones de ouvido e sondas intercambiáveis, são utilizados para detectar vazamentos de ar comprimido, falhas em purgadores de vapor, defeitos em rolamentos, problemas de lubrificação e descargas elétricas.
  • Transdutor ultrassônico fixo: Sensores ultrassônicos instalados permanentemente para o monitoramento contínuo de equipamentos críticos, como rolamentos, caixas de engrenagens e sistemas pressurizados. Conectados a plataformas de monitoramento da condição, eles permitem alertas automáticos, análise de tendências de longo prazo e detecção precoce de falhas.

Ferramentas de software

  • Software de gerenciamento e análise de dados ultrassônicos: Plataformas utilizadas para registrar, armazenar, analisar tendências e interpretar dados de inspeções por ultrassom ao longo do tempo. Elas oferecem recursos de visualização, como gráficos de tendência, espectrogramas e reprodução de áudio, ajudando os técnicos a comparar medições com as condições de referência e a gerar relatórios de manutenção.

Como a análise por ultrassom se integra a uma plataforma de manutenção preditiva?

Os dados da análise por ultrassom, capturados por detectores portáteis durante inspeções em rotas ou transmitidos continuamente por sensores ultrassônicos IoT, alimentam a plataforma de manutenção preditiva, como o software I-see(TM).

Depois de enviados para a plataforma de manutenção preditiva, cada conjunto de dados acústicos é normalizado e automaticamente associado aos metadados relevantes do equipamento. Em seguida, a plataforma processa os sinais ultrassônicos por meio de um fluxo estruturado de análise, que inclui:

  1. Comparação de cada nova leitura acústica e de sua tendência ao longo do tempo com os históricos de referência, permitindo detectar a degradação gradual por meio da evolução de indicadores como o aumento dos níveis de dB ou mudanças na qualidade do áudio obtido por heterodinagem.
  2. Aplicação de regras de detecção de anomalias ou de modelos de aprendizado de máquina para identificar sinais emergentes de atrito, vazamentos ou descargas elétricas.
  3. Classificação das anomalias ultrassônicas por tipo de falha, incluindo desgaste de rolamentos, falhas em purgadores de vapor, vazamentos de ar ou gás, degradação de motores e arqueamento elétrico.
  4. Geração de alertas sempre que limites predefinidos ou regras de desvio de padrões forem ultrapassados, garantindo a notificação antecipada de problemas em desenvolvimento.
  5. Sugestão de ações corretivas ou geração de ordens de serviço em sistemas CMMS ou ERP para permitir intervenções oportunas e priorizadas, integradas aos fluxos de trabalho padrão da manutenção.

Quais são as vantagens da análise por ultrassom?

Ao revelar de forma imediata e confiável anomalias acústicas que, de outra forma, passariam despercebidas, o monitoramento de condição por ultrassom se destaca por quatro vantagens principais.

A primeira é sua capacidade de identificar vazamentos microscópicos em sistemas de ar comprimido, vácuo, vapor ou gases com sensibilidade incomparável. Isso faz da análise por ultrassom uma ferramenta poderosa para reduzir perdas de energia, aumentar a eficiência dos sistemas e melhorar a eficiência da produção.

Outro grande diferencial dessa tecnologia é sua eficácia em ambientes extremamente ruidosos. Ao contrário de métodos como a análise de vibração ou o monitoramento convencional de níveis sonoros, que podem ser afetados pelo ruído ambiente e exigem um bom acoplamento mecânico, a análise por ultrassom isola sinais de alta frequência, permitindo detectar anomalias mesmo nas condições industriais mais desafiadoras.

A análise por ultrassom também fornece retorno sonoro imediato em tempo real. Ao ouvir os sinais heterodinados por meio de fones de ouvido, os inspetores podem confirmar e localizar falhas instantaneamente em equipamentos críticos, acelerando o processo de inspeção.

Por fim, a análise por ultrassom se destaca na detecção de descargas elétricas em estágio inicial, como efeito corona e tracking, além de eventos mais graves, como o arqueamento elétrico, e de anomalias causadas por atrito em rolamentos, eixos de motores e outros componentes rotativos. Esses problemas frequentemente passam despercebidos pela análise de vibração e, em muitos casos, são identificados tarde demais pela termografia infravermelha. Isso confere à análise por ultrassom uma vantagem decisiva na detecção precoce de falhas, tornando-a uma ferramenta essencial em um programa de manutenção preditiva.

Quantas anomalias ocultas estão comprometendo seus equipamentos sem que você perceba?

Vazamentos de ar, falhas em purgadores de vapor, atrito em rolamentos e descargas elétricas muitas vezes passam despercebidos até causarem desperdício de energia, degradação dos equipamentos ou paradas não planejadas de alto custo.

Com os serviços de análise por ultrassom da I-care, essas anomalias ocultas são detectadas precocemente, seja por meio de inspeções com dispositivos portáteis ou de monitoramento contínuo com sensores IoT. Isso permite que as equipes de manutenção atuem antes que ocorram falhas e que as perdas de energia se acumulem.

Transforme anomalias imperceptíveis em informações que orientam ações.

Quais são as limitações da análise por ultrassom?

Embora a análise por ultrassom seja uma ferramenta valiosa para aplicações mecânicas, de fluidos e elétricas, ela apresenta algumas limitações que podem afetar a precisão do diagnóstico:

  • Detecta apenas falhas que emitem sons de alta frequência, tornando a técnica ineficaz para problemas silenciosos ou de baixa frequência.
  • Depende fortemente da habilidade do operador, pois diferenciar com precisão sinais ultrassônicos normais e anormais exige treinamento e experiência.
  • Oferece profundidade de penetração limitada, o que restringe sua eficácia na detecção de falhas mecânicas internas mais profundas.
  • Requer linha de visão direta ou caminhos acústicos desobstruídos, pois barreiras sólidas ou equipamentos totalmente enclausurados reduzem significativamente seu desempenho.

Exemplo prático de aplicação

Em uma planta de processamento químico, detectores ultrassônicos portáteis foram utilizados para realizar a análise por ultrassom de purgadores de vapor em uma rede de trocadores de calor. Com o uso de sondas de contato, os técnicos conseguiram identificar rajadas irregulares de sibilo, uma assinatura característica de vazamento de vapor vivo em purgadores que já não realizavam corretamente seus ciclos de operação.

Os registros foram enviados para a plataforma de manutenção preditiva, onde a análise de tendências comparou os níveis de decibéis e os padrões sonoros com as referências históricas. O sistema identificou automaticamente a anomalia, indicando purgadores de vapor travados na posição aberta, que estavam desperdiçando vapor vivo. As equipes de manutenção conseguiram programar uma parada programada para substituir os purgadores defeituosos antes que eles causassem uma interrupção operacional de alto custo. A detecção precoce nessa etapa eliminou desperdícios desnecessários de energia, identificou vazamentos em uma válvula do compressor, evitou o risco de golpe de aríete no sistema de tubulação e restabeleceu o desempenho ideal dos trocadores de calor e dos motores, preservando a integridade dos equipamentos e protegendo a eficiência da produção e a estabilidade da planta.

Competências e treinamento necessários

A análise por ultrassom exige um conjunto de competências que vai desde inspeções acústicas básicas até a interpretação avançada de sinais, dependendo do nível de aplicação.

Competências necessárias

A análise por ultrassom exige um nível básico a intermediário de conhecimento, dependendo se o foco está em inspeções de rotina ou em diagnósticos avançados. Em um nível básico, os inspetores precisam ter uma sólida compreensão dos princípios da acústica, do comportamento dos sinais e do uso correto de detectores ultrassônicos, sejam sensores aerotransportados para detectar vazamentos e descargas elétricas, sejam sondas de contato para inspeção de rolamentos, válvulas e purgadores de vapor.

Eles devem ser capazes de realizar medições consistentes, ouvir os sinais heterodinados por meio de fones de ouvido e combinar os resultados com uma inspeção visual, quando necessário, para reconhecer sons característicos de falhas comuns, como vazamentos, arqueamento elétrico ou atrito em rolamentos. Com essa base, os técnicos conseguem executar com confiabilidade atividades como detecção de vazamentos, testes em purgadores de vapor e avaliações básicas da condição dos equipamentos após concluírem apenas um treinamento introdutório.

Análises e diagnósticos mais avançados exigem um conhecimento mais aprofundado das ondas ultrassônicas e de seu comportamento, das técnicas de detecção por envoltória (envelope detection) e da forma como as tendências em decibéis variam ao longo do tempo em função da rotação (RPM) das máquinas. Analistas experientes devem ser capazes de distinguir perfis de sinais normais e anormais, correlacionar padrões específicos com diferentes tipos de falha, avaliar as condições atuais dos equipamentos, como degradação de rolamentos ou problemas de lubrificação, e utilizar softwares especializados para interpretar formas de onda e espectrogramas. Nesse nível, um diagnóstico eficaz de falhas depende não apenas do conhecimento técnico, mas também da compreensão do contexto operacional dos equipamentos. Para alcançar esse nível de especialização, os profissionais precisam de certificação formal e de ampla experiência prática em diferentes tipos de equipamentos.

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